O FATOR “UNDERDOG”: Por Que Esses Animes Surpreenderam?
Antes de mergulharmos na lista, entenda o fenômeno: esses animes não tinham grandes franquias por trás (ou se tinham, eram desconhecidas no Ocidente), não contavam com estúdios lendários em teoria, e suas premissas — quando não pareciam genéricas — soavam simplesmente bizarras demais para dar certo.
Mas foi exatamente essa aposta na originalidade (ou no caos criativo) que os fez se destacar em meio a um mar de isekais genéricos e shonen de fórmula. Vamos a eles!
1. MINHA AMIGA NOKOTAN É UM CERTO – O Cervo Mais Viral do Mundo

O que ninguém esperava: Um anime sobre uma garota que faz amizade com um cervo… e só.
O que aconteceu: Viralizou ANTES mesmo de estreiar! O estúdio Wit Studio (o mesmo de Attack on Titan e Spy x Family) soltou um marketing tão absurdamente surreal que ninguém sabia se era real ou pegadinha. Teve paródia de telejornal em live-action e um loop de uma hora da música tema que se espalhou como fogo nas redes sociais .
Ao estrear, a bizarrice prometida nos trailers era APENAS A PONTA DO ICEBERG. A direção de Minha Amiga Nokotan é um Cervo usa cortes secos, música caótica e quebra da quarta parede para criar uma comédia que é ao mesmo tempo infantil e perturbadora. A cena da Nokotan entrando na sala de aula com cantos sinistros e destruição altamente detalhada entrou para a história do humor anime .
Kiro lembra: Teve um mês que a abertura dela estava em TODO lugar. Você não podia abrir o Twitter (X) sem ver o cervo. É o puro suco do “que diabos estou assistindo? — e por que não consigo parar?”
2. DAN DA DAN
O que ninguém esperava: Sim, o mangá do Yukinobu Tatsu já era famoso entre os leitores, mas uma adaptação com uma premissa tão caótica (briga de velha com alienígena, roubo de testículos, fantasmas com danças estranhas) poderia facilmente ser um desastre em animação.
A mistura de ritmo veloz, personagens carismáticos e uma trama que brinca com o inesperado fez com que o público se envolvesse imediatamente. Cada episódio entregava algo novo, seja uma luta impressionante, uma revelação misteriosa ou um momento de comédia que aliviava a tensão .
Por que virou fenômeno: Dan Da Dan mostrou que o público está CANSADO de fórmulas seguras. Querem criatividade, estilo e um universo onde tudo pode acontecer . É um anime que agrada tanto os fãs de ação frenética quanto aqueles que buscam humor e um toque de romance adolescente.
Kiro lembra: A primeira luta entre a Momo e a Turbo Baba (a velha) é uma das sequências mais absurdas e geniais da história recente. Quem diria que uma briga no banheiro viralizaria tanto?
3. DEMON SLAYER: A MAIOR APOSTA QUE DEU CERTO

O que ninguém esperava: Quando Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba) foi anunciado, ninguém esperava nada além de um shonen genérico de luta contra demônios. A Ufotable? Sim, estúdio de peso. Mas o material original era considerado “ok” pelos leitores de mangá — nada de outro mundo.
O que aconteceu: Lançou em 2019 e… simplesmente EXPLODIU O MUNDO. O episódio 19 (Hinokami) se tornou um marco na indústria. A animação, a trilha sonora e a direção fizeram o que parecia uma luta comum se tornar uma das cenas mais impactantes da história dos animes.
Por que virou fenômeno: Foi a combinação perfeita de animação revolucionária + hype viral + emoção genuína. Não importa se a história é simples — a execução foi impecável.
Kiro lembra: “VOCÊ SABIA QUE O EPISÓDIO 19 DAQUELE ANIME É INCRÍVEL?” foi o papo mais repetido nos fandoms em 2019. Quem ignorou nos primeiros episódios voltou correndo.
4. JUJUTSU KAISEN – O “Clone” que Superou o Original

O que ninguém esperava: Quando Jujutsu Kaisen foi anunciado, a comparação imediata foi com Bleach e Naruto — mais um shonen de exorcistas com protagonista que abriga um demônio poderoso. “Genérico”, diziam.
O que aconteceu: A MAPPA transformou um mangá bom em um FENÔMENO MUNDIAL. O arco do Incidente de Shibuya (adaptado em 2023) é considerado um dos melhores arcos da história dos animes. A morte de personagens principais, a quebra de convenções e a animação insana fizeram Jujutsu Kaisen roubar o trono de Demon Slayer como o shonen mais comentado do mundo.
Por que virou fenômeno: Subversão de expectativas. Em Jujutsu Kaisen, ninguém está seguro. Os personagens que você ama morrem — e isso gerou um engajamento emocional absurdo.
Kiro lembra: A febre do “Ao infinito e além” (Domínio Expansão do Gojo) foi algo surreal. Até avó que nunca viu anime sabia quem era Gojo. O véu branco virou trend em rede social.
5. OSHI NO KO – O Isekai de Idol que ninguém pediu

O que ninguém esperava: Um anime sobre idols, gravidez na adolescência e indústria do entretenimento. Escrito por Aka Akasaka (mesmo autor de Kaguya-sama), mas com uma proposta BEM diferente de comédia romântica. Anunciaram com um primeiro episódio de 90 minutos. “Vai flopar”, “muito nichado”, “ninguém vai entender”.
O que aconteceu: O primeiro episódio de 90 minutos foi um evento. A morte da Ai Hoshino no final do episódio chocou o mundo, viralizou em todas as redes, e a abertura “Idol” do YOASOBI se tornou a música japonesa mais rapidamente transmitida na história do Spotify.
Por que virou fenômeno: O primeiro episódio foi genialmente manipulador. Você começa achando que é uma comédia romântica de idols e termina em prantos com um assassinato brutal. O choque foi tão grande que garantiu a atenção do mundo para o resto da temporada.
Kiro lembra: Eu lembro de ver o primeiro episódio às 2 da manhã. O final me deixou em estado de choque por dias. E a abertura? Eu não consegui parar de ouvir por meses.
6. MAQUIA – Quando as Flores Desabrocham (O Filme que a Disney deveria ter feito)

O que ninguém esperava: Um filme original de anime, dirigido por Mari Okada (roteirista famosa, mas inexperiente como diretora), sem uma franquia por trás. Lançado no Japão em 2018, mal teve divulgação.
O que aconteceu: Quem assistiu, nunca mais esqueceu. Maquia conta a história de uma garota imortal que adota um bebê humano e o cria ao longo dos anos, enquanto o mundo ao redor muda e ela permanece jovem. É um filme sobre maternidade, perda e o tempo.
Boca a boca: O filme se espalhou por recomendação de fãs. Quem via, obrigava um amigo a ver. E assim, Maquia se tornou um dos animes mais emocionantes e subestimados da história, sendo redescoberto ano após ano.
Por que virou fenômeno: É a resposta para “anime é só para criança”. A profundidade emocional, a animação linda da P.A. Works e a narrativa madura conquistaram até quem nunca assistiu anime.
Kiro lembra: “Você vai chorar” é a frase mais associada a esse filme. E é verdade. Não tem como assistir a cena final da Maquia e da Ariel e não desabar.
7. ZOM 100: BUCKET LIST OF THE DEAD – O Apocalipse COLORIDO

O que ninguém esperava: Um anime de zumbi em um ano lotado de animes de zumbi. “Mais do mesmo”, disseram. “Só mais um The Walking Dead japonês.”
O que aconteceu: A estreia foi adiada por problemas de produção, mas quando saiu… O PRIMEIRO EPISÓDIO FOI UMA OBRA-PRIMA. O protagonista, Akira, vive em um emprego abusivo e prefere o apocalipse zumbi a voltar ao escritório. A cena dele dançando na rua deserta ao som de música alegre em meio ao caos viralizou instantaneamente.
O diferencial: Ao contrário de todo anime pós-apocalíptico, Zom 100 era COLORIDO, OTIMISTA e DIVERTIDO. A paleta de cores mudava conforme o humor do protagonista — do preto e branco opressor da vida de escritório ao vibrante arco-íris da liberdade no apocalipse.
Por que virou fenômeno: Atingiu um nervo. Todo mundo que trabalha em emprego estressante se identificou com o Akira. A frase “prefiro lutar contra zumbis do que voltar para o escritório” virou meme global. O anime se tornou um hino da geração burnout.
Kiro lembra: A cada episódio, uma nova aventura colorida. Era impossível não sorrir vendo o Akira realizando seus sonhos em meio ao caos. Infelizmente, os problemas de produção afetaram o final, mas o começo foi HISTÓRICO.
8. THE FABLE – O Assassino Quieto que Conquistou o Público Maduro

O que ninguém esperava: Um anime sobre um assassino lendário chamado Fable que é forçado a viver uma “vida normal” e não matar ninguém por um ano. Animação não era das mais rebuscadas, e o design “simples” espantou os fãs de shonen na estreia em 2024.
O que aconteceu: O que faltou em brilho visual, sobrou em narrativa madura e humor seco. Acompanhar Fable tentando — e falhando miseravelmente — se passar por um cidadão comum enquanto lida com outros assassinos, policiais corruptos e uma “irmã” igualmente letal conquistou um público que buscava algo mais pé no chão.
Boca a boca: The Fable é o exemplo perfeito de “não julgue um anime pela animação”. A história é tão boa que a simplicidade visual passou a ser vista como charme.
Por que virou fenômeno: Personagens únicos. O contraste entre a violência extrema do passado de Fable e sua tentativa patética de ser normal é HILÁRIO. E quando a ação finalmente acontece, ela é rápida, brutal e realista.
Kiro lembra: A cena do Fable desenhando um retrato realista de um membro da Yakuza para assustá-lo, simplesmente com seu talento artístico, é uma das coisas mais memoráveis que eu já vi. É um anime que você assiste com um sorriso no rosto.
9. BOCCHI THE ROCK! – A Ansiosa que Conquistou o Mundo

O que ninguém esperava: Uma adaptação de mangá 4-koma (tirinhas) sobre uma garota com ansiedade social extrema que quer formar uma banda. “Mais um anime de garotas fofas fazendo coisas fofas”, disseram.
O que aconteceu: Quando a CloverWorks (estúdio que fez Spy x Family, mas também The Promised Neverland final…) entregou Bocchi the Rock! em 2022, ninguém estava preparado para o que veio. A animação é experimental, frenética e criativa. As cenas de ansiedade da protagonista Hitori Gotoh (Bocchi) são representadas com mudanças de estilos artísticos caóticos — do live-action ao surrealismo — que se tornaram virais.
Por que virou fenômeno: Identificação. Milhões de jovens se viram na Bocchi — a garota talentosa, mas incapaz de socializar. O anime não apenas retratou a ansiedade; ele a validou. E a música é BOA.
Kiro lembra: Todo mundo tem um amigo Bocchi. Ou é o Bocchi. A cena dela tocando guitarra escondida no armário, ou surtando antes de subir ao palco… é desconfortável de tão real. E a animação inovadora fez cada episódio ser uma surpresa visual.
10. KAIJI / AKAGI – Os Gênios do Azar que Ensinaram Tática

O que ninguém esperava: Animes sobre jogos de azar? Protagonistas que perdem tanto quanto vencem? Os estúdios Madhouse apostaram nessas obras do lendário autor Nobuyuki Fukumoto (Kaiji, Akagi, Zero).
O que aconteceu: Kaiji (lançado no final dos anos 2000) e Akagi se tornaram clássicos cult. Diferente dos shonens que pregam “poder da amizade”, aqui o protagonista vence na base da astúcia, desespero e lógica. Não há poderes — há psicologia.
A cena que virou lenda: A arco do “passeio pela prancha” (vetical walk) em Kaiji, onde os perdedores precisam atravessar uma viga de aço entre arranha-céus, é citada até hoje como um dos momentos mais tensos da história dos animes.
Por que virou fenômeno: Fukumoto tem uma legião de fãs dedicados. Ele não subestima o espectador. Você precisa PENSAR para acompanhar. E o estilo de arte único (narizes pontudos, olhos esbugalhados) é inconfundível.
Kiro lembra: A frase “zawa zawa” (onomatopeia para a tensão crescente) virou bordão entre os fãs. Você assiste Kaiji e sente a ansiedade física. É um soco no estômago em forma de anime.
O que todos esses animes têm em comum? A resposta é simples: originalidade executada com paixão.
Em um mar de isekais genéricos e fórmulas seguras, o público anseia por:
- ✅ Risco criativo (Nokotan, Dan Da Dan, Zom 100)
- ✅ Emoção genuína (Maquia, Frieren, Oshi no Ko)
- ✅ Representatividade real (Bocchi the Rock!)
- ✅ Subversão de gênero (Jujutsu Kaisen, The Fable)






